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Serra Mãe

O agoiro do bufo, nos penhascos,
foi o sinal da Paz.
O silêncio baixou do Céu,
mesclou as cores todas o negrume,
o folhado* calou o seu perfume,
e a Serra adormeceu.

Depois, apenas uma linha escura
e a nódoa branca de uma fonte
                                       amiga;
a fazer-me sedento, de a ouvir,
a água, num murmúrio de cantiga, 
ajuda a Serra a dormir.

O murmúrio é a alma de um poeta
                                        que finou
e anda agora à procura, pela Serra,
da verdade dos sonhos que na Terra
nunca alcançou.

E outros murmúrios de água escuto,
                                     mais além:
os Poetas embalam sua Mãe,
que um dia os embalou.

Na noite calma,
a poesia da Serra adormecida
vem recolher-se em mim.
E o combate magnífico da Cor,
que eu vi de dia;
e o casamento do cheiro a maresia
com o perfume agreste do alecrim;
e os gritos mudos das rochas
             sequiosas que o Sol castiga
- passam a dar-se em mim.

E todo eu me alevanto e todo eu
                                             ardo.
Chego a julgar a Arrábida por Mãe,
quando não serei mais que seu
                                         bastardo.

A minha alma sente-se beijada
pela poalha da hora do Sol-pôr,
sente-se a vida das seivas e a alegria
que faz cantar as aves na quebrada;
e a solidão augusta que me fala
pela mata cerrada,
aonde o ar no peito se me cala,
desceu da Serra e concentrou-se em
                                               mim.

E eu pressinto que a Noite, nesse
                                         instante,
se vai ajoelhar...

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Ai não te cales, água murmurante!
Ai não te cales, voz do Poeta errante!,

- se não a Serra pode despertar.

*folhado: Flor da Serra

                      Sebastião da Gama
                    ( O Poeta da Arrábida)
 

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Maria Margarida Barros
Tm:   -  915 486 254
E-mail: mail@mariamargaridabarros.com

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Encontros - Tradição Hesicasta


 

 

Encontros - Tradição Hesicasta
Peregrinos nas Serras da Arrábida e de Sintra

Inspirados e criados em 2003, os Encontros da Tradição Hesicasta, com os princípios que continuam a manter, cada vez mais actuais, já passaram por Lisboa, Sintra, Mafra, Torres Vedras, no magnífico espaço de silêncio habitado, do Convento do Varatojo e pela Arrábida e seu Convento, tão perto do céu, debruçado sobre o mar.

Sempre beneficiaram do Espírito dos lugares, enriquecendo-os também com a qualidade do seu silêncio e das suas palavras. Este é o espírito peregrino, que se detém nos lugares e parte, enriquecendo-os e enriquecendo-se, nessa troca misteriosa.

Peregrinando, vão continuar este ano por lugares, bem confortáveis, que nos vão acolher, junto á Serra da Arrábida, a Serra com energia Sol. Em 2009 passarão pela Serra de Sintra de energia Lua. Depois vão continuar... em marcha.

Em Junho, em Fátima, haverá um Retiro de quatro dias.

O programa de cada um dos Encontros incluí a transmissão da Meditação Hesicasta, a Oração do Coração, transmitida por Jesus à Samaritana.

O  "Cântico dos Cânticos", o livro preferido de Jesus e Maria Madalena, segundo a intuição de Jean-Yves Leloup, orienta o estudo deste ano.

Estão também confirmadas as presenças de convidados que partilharão o seu silêncio e as suas palavras.

O clima dos Encontros é de silêncio e escuta atenta, facilitando o caminho da Libertação, que é um caminho de abertura, paciência e rigor.

Cântico dos Cânticos  
                                  (  mais +      LOJA  )

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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